Ter, 29 de Novembro de 2011 11:14      ACESSOS: 4766
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 grafite

Contrariando a imagem social criminalizada das periferias, ativistas do movimento hip hop reorganizam suas comunidades, e através da música, arte do grafite e dança, levam esperanças e sonhos para uma população marginalizada e cansada de viver em meio a violência e descaso das autoridades.
O Movimento hip hop chegou com força ao Brasil no meio dos anos 80. Mas foi no inicio da década de 90 que ele se firmou como umas das principais manifestações culturais das periferias. Como a voz dos excluídos. Grupos como Thaíde & Dj Hum, Racionais MCs, Gabriel-O Pensador, GOG , Cambio Negro, entre outros, fizeram o grito das favelas ser ouvido nos quatro cantos do país, influenciando toda uma juventude articulada Brasil afora, que tem interferido positivamente no seu meio social.
Hip-Hop é uma cultura que consiste em 4 subgrupos baseadas na criatividade. Um dos primeiros grupos seria, e se não o mais importante da cultura Hip-Hop, por criar a base para toda a cultura, o DJ, que é o músico sem “instrumentos” ou o criador de sons para o RAP, o B.Boy (a dança B.Boy, Poppin, Lockin e Up-rockin) representando a dança, o MC (com ou sem utilizar das técnicas de improviso) representa o canto, o Writing (escritores e/ou graffiteiros) representa a arte plástica, expressão gráfica nas paredes utilizando o spray.O Hip-Hop não pode ser consumido, tem que ser vivido (não comprando roupas caras, mais sim melhorando suas habilidades em um ou mais elementos dia a dia). É um estilo de vida, uma ideologia libertária adotada pelos jovens a partir dos anos 1980.
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Como membro pioneiro do movimento hip hop no Brasil, e militante articulador de sua comunicação estratégica ao longo dos anos, tenho tido a oportunidade de contato com diversos ativistas pelo Brasil, é o que reproduzo aqui.
Em Florianópolis o hip hop é forte, militante e ativo nas comunidades, o projeto área que acontece na comunidade Chico Mendes, é um dos mais significativos da capacidade de ação do hip hop, influenciando positivamente na vida de diversos jovens desta comunidade conhecida pelo alto índice de violência.
O MC Kinzac do grupo esquadrão da Rima, é uma das lideranças locais e coordenador do Projeto Área.
Big- Como nasce o Hip Hop aqui em Florianópolis?
Kinzac- MC & Prod.Cultural-Coordenador do projeto área.
Ele nasce a partir das idéias, né. Das idéias da periferia se juntando, trocando idéias, o exemplo é o próprio projeto área,que era uma posse, um termo usado pelo contexto social , já tem 17 anos. A questão da posse era reunir a juventude e desta forma tomando os espaços dentro da comunidade e fora da comunidade, e a partir daí se espalhando por toda a cidade. O hip hop é a identidade cultural das 73 periferias que existem aqui, da grande Florianópolis, dando voz e espaço a esta juventude que está presa dentro da comunidade num processo de segregação social.
Foi no projeto área que também conheci bons grupos da cena local, grupos femininos, masculinos, dançarinos e principalmente, jovens que fazem política comunitária através da cultura hip hop. É o caso da Leila Brown e seu grupos de meninas, que através das atividades na comunidade se descobriram artistas, ativistas militantes.
Big- O que é a música na vida de vocês, como descobriram o hip hop ?
Leila Brown- Backing Vocal & Compositora-- Eu descobri o hip hop aqui, no ação mulher, música eu já compunha desde pequena, mas estava apagado, deixava na gaveta, e através daqui eu consigo mostrar o que eu faço, mostrar o meu dom.
Big- Dizem que o hip hop tem muita coisa do machismo, e vocês são um grupo de mulheres, como vencer estas barreiras?
Big Dani- MC & Backing Vocal-
Se colocando, sou negra, sou rapper,sou eu, sou isso aí é a minha cultura, é a minha periferia, vou mostrar quem eu sou...simplesmente vão ter que engolir o machismo e aceitar..
Suiene Passos-Cantora- Os meninos acham estranho, por ser uma mulher no rap, e acham que é só crime, crime e crime, e não é assim né? A gente fala de vários assuntos, sobre nós mesmos, sobre amor, sobre a nossa vida em geral.  Mas os meninos também têm sua própria visão de mundo, da comunidade em que estão inseridos e se esforçam para traduzir este grito de vida através de suas músicas e letras.
Jeff MC do Grupo Anti-Elite- O hip hop, muitos ouvem como musica de bandido, que passa só coisa ruim, mas todas as letras, tudo que acontece, é só realidade,é o que a gente passa ou vê o amigo passando, todos os problemas que existem ali dentro né.
Big- Você canta e fala muito da vida bandida nas tuas letras , você viveu isso, teve exemplos disso,e como isso se ligou ao hip hop?
MAICOM- Mc do grupo Mente Ativa-
Na verdade eu também já passei por momento bem difícil na minha vida, que era se envolver com negocio que não era para acontecer, aí um dia também passei por um momento difícil de ter um sofrimento, também fui preso, aí lá dentro mesmo eu comecei a fazer música, cheguei aqui na rua e ganhei um apoio dos caras que cantam um rap , me envolvi e aí hoje to até agora aí ne´...pra mim o rap é minha cara mesmo né.

O hip hop é um movimento positivamente globalizado que vem mudando a vida de jovens de periferias da América latina, passando
por África,Ásia, ou seja, muda a perspectiva de jovens das periferias do mundo. O hip hop tráfica informação positiva e auto-estima de várias maneiras.
Grafite - Das pinturas rupestres ao moderno grafite, tem muita história, mas foi nos anos 80 em nova york com o sucesso de Jean michel Basquiat e Keth Herring que ele ganhou o mundo. No Brasil ele se popularizou nos anos 90 com o sucesso do movimento hip hop. Brasília tem espaço para o grafismo engajado no movimento hip hop, e também para os grafiteiros artistas plásticos que dos muros das ruas tem migrado para as galerias e centros culturais.Uma dupla de grafiteiros cariocas, ministrou aula no Centro Cultural Renato Russo para jovens que se interessavam em aprender as técnicas do grafite.
Tomaz Viana (TOZ) Grafiteiro- Desde o começo de nossa história, do grupo flashback, a gente sempre procurou aperfeiçoar a nossa técnica e desenvolver uma metodologia de ensino, exatamente pra isso, como nós somos um dos pioneiros no rio de janeiro, a gente queria ver a galera vindo com técnica, com conhecimento, com conteúdo. Então a idéia destes cursos é formar uma galera boa, com conhecimento de proporção,cores, técnicas de mistura de artes plásticas,designer, para poder manter as gerações vindo cada vez melhor.

Big- A gente pode dizer que a galera hoje tem mais oportunidade de aprender tecnicas do que voces antigamente?

Toz- Sim, na nossa época a gente que desenvolveu tudo, a tinta que a gente usava era muito pior, né. Hoje em dia existem várias opções de tinta spray para grafite, que dão mais recursos para a pessoa aprender e utilizar a técnica.Então as novas gerações vem com mais facilidade neste sentido e com mais dificuldade em outros sentidos, porque muita coisa já foi feita, é preciso encontrar coisas novas, o espaço fica cada vez mais disputado.

BRUNO BOGOSSIAN –BR Grafiteiro-A gente tinha um escritorio de design e faziamos grafite, e acabou que o grafite passou de hobby para uma profissão. Hoje em dia a gente é muito mais conhecido, nosso trabalho ganhou notoriedade nas ruas, então, hoje em dia a Flashback é um coletivo de artistas que trabalham nas ruas, faz trabalho de design, ilustração. A nossa idéia aqui com esta oficina, é abrir os olhos dos outros para o grafite, muita gente tem preconceito, nao entende muito, acha que grafite é pixação ,então, a idéia é passar pra este pessoal o que a gente absorveu neste tempo todo de trabalho nas ruas.

Big- A propósito, qual a diferença de grafite e de pixação?

Bruno- Cara , na verdade pro grafiteiro, grafite e pixação nao tem muita diferança, mas, eu diria que pro grande público , a diferença é que a pixação suja e o grafite embeleza, eu acho que esta é a principal diferença.

Big Richard

 pretobig@gmail.com facebook.com/richard.santoss @Bigrichardd )

Última atualização em Qua, 30 de Novembro de 2011 10:52

Comentários

#1 27/12/2012 14:24
e muito diveridotem gente que fica reclamando porque faz grafit alas pensa que e pixasao. mas e legal grafit

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